Ouço a chuva cair. Olhos as ruas molhadas

Penso nas violetas e nos jardins em flor.

Desce ao meu coração uma paz sem memória.

Desce ao meu coração uma doçura imensa.

 

Lembro o amor a dormir tranquilo e sossegado

A rua esquiva e sem pregões, a rua pobre,

A rua humilde e a casa pequenina, em que se abriga.

Lembro a infância que foi e outras manhãs já longe.

 

Sinto a vida com a chuva descendo

Sobre os quietos beirais, sobre as ruas, descendo

Sinto que o tempo é bom porque não para nunca.

 

Um ritmo de abrigo envolve as coisas, tudo.

Vontade de dormir o grande sono calmo

Ouvindo a chuva triste e mansa, a descer sobre mim.

 

 

Augusto Frederico Schmidt