Inglesa veio ao Rio participar do programa de intercâmbio entre o National Science and Media Museum e o Museu do Amanhã

“Enquanto os pais estão preocupados em desenvolver as habilidades de seus filhos, eles também acabam melhorando suas próprias capacidades. Sendo assim, a sociedade ganha profissionais mais preparados a longo e a curto prazo”, diz educadora

“Sou formada em literatura inglesa pela Universidade de Bradford e estudei didática na Universidade de Leeds. Amo ensinar. Trabalhei por 12 anos com educação familiar em comunidades carentes. Sou chefe de aprendizagem e participação no Museu Nacional de Ciências e Mídia, em Bradford, na Inglaterra.”

Conte algo que não sei.

As escolas já fazem um trabalho incrível com as crianças, mas quando elas vão para casa, os pais devem atuar como mentores, ajudando-as com suas tarefas de casa. Infelizmente, isso não acontece em todas as famílias. Essa relação de troca de conhecimento é fundamental, já que as palavras dos pais têm muito mais poder sobre os pequenos.

Como preparar os pais para esse trabalho?

Eu e minha equipe ensinávamos a eles como ajudar seus filhos de seis a 11 anos. Nas sessões, no primeiro momento, explicávamos os conteúdos aos pais. Depois, chamávamos as crianças e alinhávamos com os dois grupos o que deveria ser ensinado. Essa conexão é poderosíssima porque as crianças conseguem relacionar melhor o que é aprendido com os assuntos do dia a dia.

Além dos alunos, os pais também aprendem com essa atividade?

Sim. Esse mecanismo é rico duas vezes, pois enquanto os pais estão preocupados em desenvolver as habilidades de seus filhos, eles também acabam melhorando suas próprias capacidades. Sendo assim, a sociedade ganha profissionais mais preparados a longo e a curto prazo. Nos casos em que os pais não tinham o inglês como primeira língua, o trabalho era reforçado.

Como isso acontecia?

Tendo em vista essas dificuldade, nosso desafio era superá-la com os pais, antes mesmo de pensarmos nas crianças. Desenvolvíamos atividades mais básicas, optando por textos acompanhados de imagens, ao invés de só textos. Esse mecanismo já facilitava compreensão das disciplinas básicas como matemática, inglês e ciência.

Qual a importância de desenvolver essas disciplinas tão cedo?

Linguagens e números fazem parte do ciclo funcional e, por isso, são essenciais. Dominá-las antes de estudar geografia e história, por exemplo, garante que o aluno esteja apto a ler, escrever e fazer contas simples, e ,aí sim, caminhar com as outras matérias.

Por que a ciência está entre as primeiras a terem atenção?

A criança não precisa se tornar nenhum cientista quando crescer, mas se ela for bem na área desde pequena, certamente terá maior potencial para competir no mercado de trabalho e conseguir as melhores vagas de emprego. Já foi comprovado que a disciplina aumenta a capacidade em pensar e saber lidar com experiências novas, o que é fundamental em qualquer profissão ligada ou não à ciência.

Qual o benefício dos engajamentos dos pais nas tarefas escolares de seus filhos?

Esse mecanismo é bom para as escolas porque, com os pais mais presentes, ganham alunos mais ativos e empenhados em suas tarefas; a sociedade recebe cidadãos melhores, e a economia também é beneficiada com futuros profissionais mais preparados.

Como os educares brasileiros vêm esse mecanismo?

Os profissionais de educação com que eu tive a oportunidade de conversar absorveram bem essa ideia. Pelas pesquisas que tive acesso, posso dizer, sem a menor dúvida, que o Brasil está fazendo um trabalho bem inteligente no avanço da educação. Sinto uma conexão muito grande, com ótimas oportunidades para que aconteçam grandes mudanças.

FONTE: O Globo

Entrevista a: Pedro Amaral

Pedro.amaral@infoglobo.com.br

FOTO: Guito Moreto

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