O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro apresenta a exposição “Chichico Alkmim, fotógrafo”. Com curadoria de Eucanaã Ferraz, poeta e consultor de literatura do IMS, a mostra apresenta mais de 200 imagens produzidas pelo fotógrafo mineiro na primeira metade do século XX.

Francisco Augusto Alkmim (1886-1978) estabeleceu-se em Diamantina depois de viajar por Minas Gerais vendendo joias com seu pai. Ao chegar, encontrou uma cidade que já se distanciava dos dias de glória do período da farta exploração de diamantes. Chichico registrou as mudanças nesse universo, que flutuava entre a modernização e a tradição, fotografando a paisagem e seus habitantes. Sua atividade chegou até meados dos anos 1950.

 Chichico Alkmim, fotógrafo

Ao contrário de muitos fotógrafos com estúdios pelo interior do Brasil nesse período, Chichico nunca se limitou a retratar apenas a burguesia diamantinense. Teve como frequentadores de seu estúdio os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria e também fotografou casamentos, batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua.

A exposição cobre cronologicamente e sintetiza as fases do trabalho do fotógrafo, que são apresentadas em salas ambientadas.

A abertura da exposição também marca os 129 anos da assinatura da Lei Áurea. Para homenagear a data, o cinema do IMS fará uma exibição especial de Terra deu, terra come (Brasil, 2010. 88’), de Rodrigo Siqueira, que se passa no quilombo Quartel do Indaiá, em Diamantina, na região onde Chichico Alkmim passou sua infância e juventude. No filme, Pedro de Almeida, garimpeiro de 81 anos, comanda como mestre de cerimônias o velório, o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, que morreu com 120 anos, num ritual em que vêm à tona as raízes africanas de Minas Gerais.

A obra de Chichico Alkmim é composta por mais de cinco mil negativos em vidro e algumas dezenas de fotografias originais de época. Desde 2015, seu acervo está depositado em comodato no Instituto Moreira Salles.

 

 

Chichico Alkmim, fotógrafo

Visitação Até 1 de outubro de 2017

De terça a domingo, das 11h às 20h

Local: Instituto Moreira Salles (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea)

Entrada franca

Classificação: Livre