Depois de passar por Brasília e São Paulo, mostra apresenta no RIO cinco novas obras, entre elas a tela ‘Eu vi o mundo… ele começava no Recife’, aclamada como a obra-prima da trajetória do artista. A abertura para o público aconteceu no último dia 2 de agosto e a exposição poderá ser visitada até 25 de setembro.

Em 1938, o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003) foi chamado de “um selvagem esplendidamente civilizado” pelo crítico de arte francês André Salmon. A definição descreve perfeitamente sua trajetória nas artes, agora retratada na exposição “Cícero Dias – Um percurso poético”.

A mostra tem a curadoria de Denise Mattar, curadoria honorária de Sylvia Dias, filha do artista, e produção da Companhia das Licenças em parceria com a Base7 Projetos Culturais.

Na edição carioca a exposição foi acrescida de cinco obras: a emblemática tela de 12 metros, ‘Eu vi o mundo…ele começava no Recife’, que causou comoção no Salão Revolucionário de 1931; o painel ‘Visão carioca’, com 8 metros de comprimento, criado para o Banerj, em 1965, e que hoje integra o acervo do Museu do Ingá, em Niterói, e ainda ‘Rua São Clemente’, 1928; ‘Elan’, 1958; e ‘O Grande Dia’, 1948.

“Na sua longa e prolífica carreira, Cícero Dias manteve, como poucos, a fidelidade a si próprio. Sempre foi inteiramente livre, ousando fazer o que lhe dava vontade, sem medo das críticas”, afirma a curadora Denise Mattar.

“Eu vi o mundo… e ele começava no Recife” (1,94 m x 11,80 m) foi apresentado pela primeira vez no chamado Salão Revolucionário da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, no qual pela primeira vez foram apresentados os artistas modernistas. O trabalho é o ponto alto do ciclo de memórias e sonhos iniciado pelo artista em 1928.

Com cerca de 15 metros de comprimento e realizado sobre papel kraft, ele se destacava entre as obras do Salão: “O épico painel é profuso, confuso e dramático, mesclando memórias do engenho, do carnaval de Olinda, e do Rio de Janeiro, imagens de cordel, lembranças românticas e devaneios eróticos, tudo simultâneo e onírico, real e irreal”, diz a curadora. A obra causou furor no Salão e teve uma parte cortada não se sabe por quem. Os próprios modernistas ficaram constrangidos com a sexualidade explícita da obra, e o episódio muito contribuiu para a demissão de Lúcio Costa. A obra pertence hoje a um colecionador particular do Rio de Janeiro.

“A exposição é uma celebração da obra deste importante artista pernambucano e é a primeira grande retrospectiva de Cícero Dias no Brasil. No CCBB, nos preocupamos em oferecer uma programação diversificada, entre mostras internacionais, de artistas clássicos ou contemporâneos, esta é uma das oportunidades que temos de valorizar a arte produzida por um artista nacional, para que seja cada vez mais conhecido pelos brasileiros e pelo mundo”, diz Fabio Cunha, gerente geral do CCBB Rio de Janeiro.

A exposição traça um panorama da produção do artista, e é apresentada em três grandes núcleos que delineiam seu percurso poético. São eles: Brasil, Europa e Uma vida em Paris – cada um deles, por sua vez, dividido em novos segmentos, cuja leitura não é estanque, mas entrecruzada e simultânea.

Educativo
Um conjunto de atividades na exposição possibilita ao público de todas as idades entender a variedade da obra de Cícero Dias e os elementos recorrentes que a permeiam. Uma instalação multimídia, por exemplo, permite que o visitante escolha entre imagens presentes no trabalho do artista e crie sua própria aquarela. Por meio de um quebra-cabeças o público pode também reconstituir o painel de 12 metros da obra Eu vi o mundo… ele começava no Recife. Fragmentos de seis obras de várias fases de sua carreira formam ainda um cubo-mágico que pode ser montado das mais diversas formas.

Além dessas atividades, os visitantes da mostra poderão participar das ações que o Programa Educativo do CCBB Rio oferece: visitas mediadas (inclusive com grupos de pessoas com deficiência), contação de histórias e laboratórios. Nesse último, o público poderá participar de três oficinas relacionadas à exposição ‘Cícero Dias – Um percurso poético’, Fios da história, Ciclos poéticos e Alguém me disse, que enfatizam a palavra e as perspectivas poéticas na obra do artista.

Os visitantes também podem fazer uma visita guiada pelo celular, com a ajuda de um aplicativo que pode ser baixado na Apple Store ou no Google Play, também disponível em libras. O guia conduz o público por um caminho sonoro de 30 pontos fundamentais para a compreensão da arte e da vida do artista.

SERVIÇO
Exposição Cícero Dias – Um percurso poético

Local: CCBB Rio (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro)

Visitação: Até o dia 25 de setembro – de quarta-feira a segunda-feira, das 9h às 21h

Entrada franca