Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro inaugurou, no dia 20 de outubro passado, exposição que celebra os 200 anos da expedição dos dois naturalistas, Spix e Martius, que revelaram ao mundo a diversidade e a beleza da natureza e dos povos do nosso país no século XIX, Livros raros, pertencentes ao acervo da Biblioteca Barbosa Rodrigues, litografias e gravuras em metal, algumas coloridas a mão, além de painéis com reproduções, compõem a exposição que leva o público a uma “viagem” pela riqueza natural e cultural do Brasil.

A Biblioteca possui 23 obras dos autores, das mais de 30 por eles publicadas. Para a exposição, foram selecionadas as mais ricas em imagens. Entre as preciosidades à mostra estão exemplares de Viagem pelo Brasil, do Dicionário de dialetos e línguas indígenas faladas no Brasil e um dos 40 volumes da Flora brasiliensis. O público poderá ver ilustrações originais e reproduções de trabalhos dos próprios naturalistas e de artistas que com eles colaboraram, como Rugendas, Thomas Ender, Johann Buchberger, Franz Frühbeck, Benjamin Mary, Ackerman, Deppé, Hohe, Johann J. Steinmann, o taxidermista Domenico Sochor, o zoólogo Johann Natterer, os botânicos Johann Sebastian Mikan e Johann Emmanuel Pohl, além de outros artistas e desenhistas anônimos. Os textos explicativos da exposição são de especialistas botânicos, artistas, historiadores, antropólogos e outros, cujas áreas se desenvolveram, em grande parte, a partir do monumental trabalho realizado por Spix e Martius sobre o Brasil. Abertos ao diálogo e à troca de conhecimentos científicos, eles contaram com a contribuição de outros naturalistas de peso, como o próprio Barbosa Rodrigues (diretor do Jardim Botânico de 1890 a 1909). Johann Baptist von Spix (Höchstadt an der Aisch, 9 de Fevereiro 1781 — 14 de Março de 1826) e Carl Friedrich Philipp von Martius (Erlangen, 17 de abril de 1794 — Munique, 13 de dezembro de 1868) chegaram ao Rio de Janeiro em 1817, na chamada Missão Austríaca ou Missão Austro-Alemã, que veio ao Brasil como parte da comitiva da princesa Leopoldina da Áustria, noiva do futuro imperador D. Pedro I. Do Rio, os naturalistas, acompanhados por artistas e assistentes, partiram em uma expedição que durou três anos, alcançando o Amazonas. Neste trajeto, percorreram 4 mil quilômetros de norte a sul, 6.500 de leste a oeste, deparando-se com a natureza exuberante e as culturas de povos nativos do território brasileiro. Coletaram dezenas de milhares de amostras de plantas, animais e artefatos e fizeram inúmeras anotações sobre o que encontraram no caminho. Todo esse material serviu para os estudos realizados nos anos posteriores, que revelaram a riqueza natural e cultural do Brasil. “A Flora brasiliensis, por exemplo, levou 66 anos para ser concluída, só a partir do material botânico coletado nessa expedição. Nela são descritas, pela primeira vez, mais de 20 mil espécies de plantas brasileiras, sendo até hoje uma das maiores e mais completas floras do mundo. O conjunto do trabalho de Martius e Spix sobre o Brasil é imensurável, e suas obras são utilizadas até hoje como referência na botânica, zoologia, arte, história e até medicina. São obras que trouxeram desenvolvimento científico, cultural e social para o país”, explica o professor e ilustrador botânico Paulo Ormindo, curador da exposição no Museu do Meio Ambiente. A exposição tem apoio da Associação de Amigos do Jardim Botânico (AAJB) e do Centro de Referência em Informação Ambiental – (CRIA), e direção de arte assinada por Mary Paz Guillén.

 

Local de Apresentação: Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Endereço do Evento: Rua Jardim Botânico, 1008, Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ

O Evento é gratuito.

Não é necessário fazer inscrição
Classificação Etária: Livre

Encerra: 20/01/2018.