Três anos após sua morte, Tomie Ohtake (1913–2015) continua a surpreender. Discreta, a pintora nipo-brasileira pouco falava de sua obra ou de seu processo de criação. A partir da pesquisa do curador Paulo Miyada, que encontrou nos arquivos da casa-ateliê de Tomie cadernos com estudos para obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1980, o público tem acesso a parte dos caminhos que a consagraram como um dos principais nomes da abstração no país. Com abertura na próxima quarta-feira na Galeria Nara Roesler, a exposição “Nas pontas dos dedos” revela como a pintora utilizava colagens feitas a partir de papéis rasgados e cortados para estudar as cores e formas utilizadas em suas telas. Tomie tinha uma atitude direta em relação à pintura, ela sequer gostava de dar título às obras para evitar sugestionar o público. Da mesma forma, ela falava muito pouco sobre seu processo de trabalho, tudo o que importava para ela acontecia no momento da experiência do espectador diante da obra — observa Paulo Miyada, curador do Instituto Tomie Ohtake e da mostra. — Comparando com os estudos, é possível notar como alguns dos elementos das pinturas, que não têm um contorno delimitado com precisão, têm relação com o rasgo à mão dos papéis.

O caderno com cerca de 100 estudos, colados em 24 páginas — que, na mostra, são exibidas em separado, em perfis de acrílico suspensos, junto a 10 pinturas e 7 gravuras — foi encontrado entre os arquivos de Tomie, e nem mesmo a pintora se lembrava de sua existência.

O curador aponta que as mudanças nas colagens também foram acompanhadas de transformações nas pinturas e gravuras, nos anos 1970 e 1980:

— Nos anos 1970, quando ela também passa a usar a tesoura, alguns contornos ficam mais definidos. E ela começa a utilizar cores saturadas, como roxos intensos, verde quase limão, que não eram usuais na pintura abstrata no Brasil. Essa ampliação da paleta cromática tem relação com a evolução do parque gráfico brasileiro, já que muitos dos papeis usados por Tomie eram retirados de revistas, de convites e materiais publicitários que recebia. Ela reproduziu nas telas e gravuras com perfeição aquelas cores dos recortes.

Serviço:

Visitação: 28.02.2018 Até o dia 18.04.2018

Horário: seg – sex > 10h – 19h sáb > 11h – 15h

Local: Galeria Nara Roesler

ENDEREÇO: Rua Redentor, Nº 241 – Ipanema – CEP nº 22421-030 – Rio de Janeiro

TEL.: +55 (21) 3591 0052

 

FONTE: O GLOBO

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