Confira a entrevista completa:

1 – “um coração um pouco errado”, um título em letras minúsculas, esse livro já seria um “point” da sua geração, carente de emoções, ser representada nele?

Na verdade, o título nasceu da minha intensidade como pessoa. Eu sou exagerada. Rio demais, amo demais, sofro demais e sinto demais. E talvez por isso, eu tenha um coração um pouco errado, um pouco diferente daqueles que têm a mesma idade que eu. Somos sim uma geração carente de emoções mas porque crescemos escutando que perde aquele que se importa. Sensibilidade é sinônimo de ser trouxa na sociedade em que vivemos. Uma sociedade que bate palmas pra quantidade de likes e descrimina sentimentos.

2- Você se sente esmagada pelas diversas mídias, e sente ou não, que a sua geração não compactua muito com a leitura?

Acho que estamos cada vez mais lendo, e isso também é papel das redes sociais. Mesmo que o conteúdo não seja filtrado, nunca se leu tanto textão no Facebook, rs. Os livros, em si, vem ganhando espaço graças aos youtubers que lançam cada vez mais livros. Sem julgar o conteúdo apresentado por eles, acho que pode acabar abrindo espaço para o gosto pela literatura. Eu faço parte da geração Harry Potter, que começou a ler as aventuras desse bruxinho e depois foi conquistado por outros livros. Quem sabe os livros de youtubers não façam o mesmo para essa nova geração?

3- E qual foi a impressão de amigos quando se viram representados em sua leitura, como se fossem um só?

Ainda não tive muitos feedbacks, mas a maioria sempre me diz que as minhas palavras refletem diretamente o que sentem, mas até então, eles são suspeitos, rs. Alguns se sentiram representados, outros nem tanto. Acho que meu livro na verdade acaba falando com diferentes públicos e essa é a melhor recompensa que eu poderia ter.

4- Não há nada de errado uma jovem de 21 anos fazer uma estreia em uma Bienal, e o coração como fica?

Eu amo a Bienal do Livro! Sempre foi meu evento favorito, e agora estrear com meu segundo livro nela foi um sonho realizado. Ansiedade a flor da pele! Foi incrível, muito melhor do que eu poderia esperar.

5- Interessante você vivenciar as letras de diversos artistas, seu livro virou um som musical?

Eu amo música, aprendi a tocar violão aos 15 anos e sempre adorei cantar. Fui e sou inspirada constantemente por música. Faço parte da geração que cresceu ouvindo Sandy e Junior e em diferentes fases da vida, me senti representada pelas canções deles. Como eu escrevo ouvindo música, quis juntar essas duas paixões – a música e a literatura – em um projeto só.

Colaborou: Tania Ignatiuk