ENTREVISTA COM OSCAR BACELAR

Membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, Virum Doctíssimum pela Universidade de Basel – Suíça. Autor de oito livros, entre eles: Arte de Curar Em Extinção, Transbordar Em Emoções, Três Passarinhos, Uma Gota É Um Pingo, Lembro Logo Existo.

O renomeado neurologista, Dr. Oscar Bacelar, dividiu com a sua filha Isabela, de 7 anos, no palco do Teatro dos Grandes Atores, uma atuação na peça infantil intitulada “Jovens Heróis”.

Ele vai nos contar, como encarou esse desafio, esse momento mágico e único, vivido com extrema sensibilidade, entre o ofício de ator, pai, consultório e a neurologia.

 

1- Apesar de criança, Isabela se encantou com essa novidade: ser atriz e ao mesmo tempo, ter o seu querido pai a seu lado. Como não resistir a tentação, e confessar que, não se trata apenas de uma peça literária, e sim de uma experiência que provoca a manifestação dos valores humanos?

R- Certamente. Atuar com ela na peça me permitiu adentrar no mundo dela e conhecer mais as suas angústias, desejos e expectativas em relação à vida. Essa cumplicidade aumentou nosso companheirismo e amor recíproco.

Isso me facilita a passar os valores que considero corretos a ela.

 

2- Hoje em dia, a geração da Isabela é aberta, direta e lógica. Como neurologista e pai, essa descoberta de estar mais perto, surtiu efeito meteórico?

R- Não há nada mais importante na vida do que os filhos. Participar e incentivar as crianças nos projetos delas é missão dos pais. Elas aprendem com os nossos exemplos e nos observam o tempo todo.

Dessa forma, quando se depararem com dilemas morais e éticos no decorrer da vida, tomarão um caminho ou outro, na dependência dos modelos que estão nas suas memórias e do raciocínio que fizerem na hora do problema.

A educação e formação de um indivíduo de bom caráter são os principais legados que os pais podem deixar para os filhos.

 

3- Pelo visto, ficou provado que Isabela ficou mais adulta(rsrs). Ora, esse mundo infantil de hoje, de alguma forma te preocupa? Como usar essa experiência tão bacana e poder compartilhar com o mundo mirim, já que hoje em dia, os pais estão tão ausentes?

R- Fico preocupado com a destruição das famílias. Jovens crescendo sem orientação e casais que não se respeitam. A sociedade precisa rever o que realmente importa. Focar menos nos bens materiais e mais nas relações humanas.

 

4- As peças literárias devem ser mais interpretadas por esses pequenos? Como se sabe, o mundo da informática viralizou. Não há criança e adulto que não possa ficar sem ele. Como canalizar esse mundo robótico para o mundo da emoção? É possível esse resgate? Estamos em crise literária versus emoção?

R- O teatro traz uma incrível capacidade de concentração, raciocínio rápido, senso de disciplina e de trabalho em equipe. Além do treinamento de falar em público. Todos precisarão disso um dia, seja ator ou não.

Não há crise literária e o celular não é inimigo disso. A pessoa pode se emocionar assistindo um filme no telefone, não ?

As pessoas não vão ao teatro por falta de hábito. Vários convidados que foram no “Jovens Heróis” estavam levando os filhos no teatro pela primeira vez. Como a criança vai gostar do que não conhece?

Em relação ao uso do celular, ainda não existe uma etiqueta social bem definida. As pessoas dão mais atenção às mensagens do quem a quem está sentado a sua frente. Uma pena.

 

5- Vai rolar um livro sobre essa experiência? Ou uma peça literária, em que esse tema pode ser útil para pai, mãe e filhos? Tema educador?

R– Sim, tenho pensado em escrever uma peça. A princípio tenho uma ideia dos personagens. Vai bem de encontro a essa retrato de família que vemos por aí.

Ideias:

Menino perfeitinho que só se dá mal

Irmã que faz bullying

Pai sem tempo que só trabalha e que manda a mãe resolver

Mãe bipolar que só malha e sempre dá razão a filha

Irmãozinho – melhor amigo do menino e consultor

 

Colaborou: Tania Ignatiuk