VIDA DIGITAL

Elas fazem propaganda de marcas, recebem cantadas, militam, escolhem as melhores fotos para seus feeds e têm milhares de seguidores. Seriam como qualquer influencer não fosse por um detalhe: eles não existem.

Esta semana, uma lista publicada pela versão brasileira do site “BuzzFeed” chocou o Twitter. Intitulada “Tem uma galera dando em cima da vendedora virtual do Magazine Luiza”, ela cumpre o que vende: através de inúmeros prints de Facebook, fica claro que, sim, tem uma turma assediando, até de forma desrespeitosa, a colaboradora cibernética da rede de varejo.

O debate esquentou tanto que Lu, como atende a personagem, precisou se posicionar nas redes sociais. “Gente, tô chateada com algumas cantadas pesadas que ando recebendo aqui nos comentários. E olha que eu sou virtual! Fico imaginando as mulheres reais que passam por isso todos os dias!”, protestou a personagem no Instagram.

Ilca Sierra, diretora de marketing do Magazine Luiza, explica:

— Por ser um avatar, a Lu já trazia a interação em primeira pessoa, dando sua opinião. Fomos sofisticando isso, trazendo personalidade para essa persona. Como nós, Lu evolui como pessoa ano após ano. A diferença é que por trás dela tem um time que trabalha com um guia para que a persona seja consistente com o que a empresa pensa.

Criada em 2003 e dona de um canal no YouTube assinado por 1,4 milhão de pessoas, Lu é veterana de uma onda de avatares influenciadores que vem ganhando espaço nas redes sociais. Fora do Brasil, a mais famosa delas é a hispano-brasileira Miquela Sousa, com seus 1,4 milhão de seguidores no Instagram, onde atende por Lil Miquela.

 

ROTINA DE CELEBRIDADE

Através de fotos em que interage com o “mundo real”, ela não apenas lança produtos ou chama atenção para as marcas que está vestindo, mas também reclama quando encara uma ressaca, diverte-se em festivais badalados, posta selfies com seu namorado (de carne e osso) e com ídolos como Nile Rodgers, faz campanha pública para movimentos como Black Lives Matter, posiciona-se a favor dos direitos de pessoas transgênero e, ufa!, ainda encontra tempo para promover suas músicas. Sim, Miquela tem quatro singles lançados nas plataformas de streaming, dois deles com mais de 1 milhão de reproduções.

— Miquela é um espelho de como construímos nossas personas nas redes. Conscientemente ou não, você está fazendo o mesmo que ela, escolhendo suas melhores fotos. Miquela tem tanto poder quanto qualquer outro influenciador digitall: afeta nosso comportamento, o que compramos e o que pensamos sobre as marcas — explica Claire Hubble, que escreveu sobre o que chama de “influenciadores falsos” para a revista australiana “Eureka Street”.

Miquela, que estampa a edição de setembro da “Vogue” americana, é filha da Brud, uma startup baseada em Los Angeles, “mãe” também dos avatares Blawko e Bermuda — recentemente ativos, eles têm 135 mil e 98 mil seguidores no Instagram. Até o momento, a empresa, que se apresenta como “estúdio transmídia que cria mundos dirigidos por personagens digitais”, ainda não revelou suas reais intenções com os experimentos.

Shudu, por sua vez, tem origem exata. Considerada a “primeira supermodelo digital do mundo”, a avatar inspirada em uma ed ição negra da boneca Barbie nasceu da necessidade do fotógrafo britânico Cameron- James Wilson ter um hobby. As feições realistas de Shudu, que tem 140 mil seguidores, fizeram Wilson ser acusado de “esconder ou não dar crédito para uma modelo real”.

— Não ganho dinheiro com ela nem quero tirar trabalho de modelos profissionais. Shudu celebra a diversidade em uma indústria que precisa disso — garantiu Wilson à revista “Elle”.

 

FONTE:  O Globo 

Reporter: LUCCAS OLIVEIRA

FOTO: Reprodução 

https://oglobo.globo.com/cultura/com-rotina-numeros-de-celebridades-reais-avatares-viram-influenciadores-23029658