Parcerias

UNESP

Em agosto de 2010, a Fundação YAFS e a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP  iniciaram os entendimentos através da assinatura da carta de intenção de doação do acervo literário composto de 3.170 volumes, livros raros dos séculos XVI e XVII, publicações especiais (dedicadas a determinadas pessoas) e várias primeiras edições de autores como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, e, de bens e objetos mobiliários, piano, tapeçarias e objetos de decoração que pertenceram ao casal.

No ano seguinte, em 31 de agosto, a UNESP e a Fundação promoveram a “Noite do Galo Branco” para comemorar a lavratura da escritura de doação ocorrida dias antes.

O primeiro resultado da parceria aconteceu em 14 de novembro de 2012, com a reinauguração no prédio da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Letras no Campus de Araraquara, da Biblioteca e do Espaço Schmidt. Neste espaço estão guardados os 3.170 livros doados.

Em 25 de abril de 2018, a Unesp inaugurou no seu prédio localizado na Rua Dom Luís Lasanha, 400 – Bairro do Ipiranga – São Paulo – Capital, o 2º Espaço Schmidt, que apresenta uma réplica do ambiente original caracterizando alguns cômodos do apartamento que o casal viveu no Rio de Janeiro. Desde então, o espaço está aberto à visitação pública.

No discurso de inauguração do 2º Espaço, o Vice-reitor da Unesp, Sérgio Roberto Nobre, ressaltou: O objetivo é de proporcionar uma maior interação entre a Fundação e o público de estudiosos de diferentes pesquisas: "é uma honra para nós termos esse material em nossa Universidade".

Coleção Literária

A temática da coleção abrange principalmente três assuntos: literatura, poesia e arte. Suas obras, na maior parte editada na primeira metade do século XX, foram publicadas em francês ou português, além de alguns volumes em espanhol. Cabe ressaltar que a coleção possui grande valor histórico para a literatura nacional justamente por abranger uma grande quantidade de obras de autores publicados nesse período.

Numa primeira análise, diversas obras foram encontradas. Elas abrangem características que as permitem identificar como “raras” (de grande valor histórico e/ou comercial), como por exemplo:

 

EDIÇÕES NUMERADAS DE BIBLIÓFILOS (NORMALMENTE COM TIRAGEM LIMITADA A 100 EXEMPLARES), COM EXEMPLAR NUMERADO E NOMEADO (IMPRESSO COM O NOME DO POETA):

– Poemas Negros, Jorge de Lima, ilustrações de Lasar Segall – Memórias de Um Sargento de Milícias – Bestiário, Gabriel Soares de Sousa – O Rebelde, ilustrações de Iberê – Passárgada, de Manoel Bandeira – Três Contos, de Lima Barreto – Canudos, ilustrações de Poti

– O Caçador de Esmeraldas, Olavo Bilac – Menino de Engenho, dois volumes – O Alienista – Buripelo Sertão: Histórias e Paisagens (com ilustrações) – Campo Geral, João Guimarães Rosa, ilustrações de Djanira – Memórias Póstumas de Brás Cubas, com ilustrações de Portinari – Cadernos de João, Aníbal Machado, gravuras de Babinski- – – Poranduba Amazonens – Bahia, de Odorico Tavares – Romancero Gitano, Frederico Garcia Lorca – Espumas Flutuantes, de Castro Alves – Lendas Brasileiras, Luis da Camara Cascudo, 1945, ed. especial da Confraria Dos Bibliófilos Brasileiros, numerada e nomeada, ilustrações de Santa Rosa – Ornitologia Brasileira, exemplar numerado fora de comércio (3 volumes) – Alvarus e seus Bonecos, autografado e com dedicatória de Alvarus.

 

PRIMEIRAS EDIÇÕES AUTOGRAFADAS:

– Primeira edição (limitada) de Enfantines de Valery Larbaud, exemplar numerado (além algumas outras primeiras edições de livros de Valery); – Vientos, de Jorge Zalomea, autografado e numerado, em espanhol – Veinte Poemas, autografados Oliverio Girondo – Elements Philosophie, de Jacques Mauritan – Deux Princesses, Tristão da Cunha – Catéchisme em Images , ilustrado e autografado por Andrée S. de Groot – As Parábolas, de D.Martins de Oliveira – Raízes, João Paulo Moreira Da Fonseca, desenhos de Portinari, autografado pelo autor, pelo ilustrador e pelo editor J.Olympio – Tauromachie: Art Profond – Connaaissance de L’est, Paul Claudel, autografado e numerado – Mort de la Ville, Jean-Georges Rueff – Manet no Brasil, Antônio Bento – Tauromaquia, edição numerada, de Francisoc de Goya y Lucientes, autografado – Poemas Italianos, de Cecília Meirelles, autografado – Assombrações do Recife Velho, Gilberto Freyre, numerada e autografada pelo autor, ilustrador e editor – 10 poemas em manuscrito, autografado pelos autores – Poesia e Prosa, de Dante Milano – Diálogos, Ramarcos, autografado com dedicatória para Yedda.

 

LIVROS DE ARTE (LIVROS QUE SÃO OBRAS DE ARTE):

– Brochura autografada por Sotero Cosme (desenhos) – Suite d’etats (série de desenhos) – Improvisações Gráficas, com poemas – Desenhos de Ayres para Assombrações do Recife velho./

  PRIMEIRAS EDIÇÕES:

– Les Fenêtres, Rainer Maria Rilke – Literatura e Vida, Antonio Carlos Villaça – Solombra, de Cecília Meirelles – Ou isto ou aquilo, Cecilia Meirelles.

 

QUE PODEM SER RAROS PELA DATA DE PUBLICAÇÃO:

– Padre Manoel Bernardes: Excertos, de Antonio Feliciano De Castilho, 1865 – Obras Poéticas e Oratórias, P.A.Correa Garção, 1888 – História De Santilhana, de Lesage, Lisboa, 1886 – O Inferno, de Dante Alighieri, edição ilustrada de 1887

OUTROS: – Dois Parlamentos, João Cabral de Melo Neto, 1963, brochura editada em Madri e dedicada ao casal Schmidt.

Discurso de Inauguração do 2o espaço Schmidt

A trajetória viva de Augusto Frederico Schmidt

Dias depois ter sido confirmada a cerimônia de inauguração do Centro Cultural Augusto Frederico Schmidt, aqui na Unesp, no histórico bairro do Ipiranga, recebi uma curiosa informação do professor José Paes de Almeida Nogueira Pinto, assessor do nosso reitor Sandro Roberto Valentini.

Ele curiosamente tinha lido naqueles dias referências sobre o poeta, editor, empresário e diplomata carioca na obra “O livro de Jô: uma autobiografia desautorizada’, de Jô Soares. O humorista conta, com a ironia que o caracteriza, que um dos últimos homens a visitar o presidente Getúlio Vargas, dia 23 de agosto, na véspera de seu suicídio, foi justamente Augusto Frederico Schmidt, que viria ser posteriormente um influente assessor de Juscelino Kubitschek e autor de seus discursos.

Jô conta que Schmidt se surpreendeu ao ter a sua audiência com o presidente confirmada num momento em que país estava mergulhado em séria crise. Afinal, sua pauta era menor: um relatório americano sobre o problema da alimentação no Brasil. Mesmo nesse contexto, Vargas pediu a Schmidt que lesse o relatório, que incluía informações sobre a industrialização do pirarucu.

E aí vem o mais curioso, pois o peixe amazônico, naquela época, era um apelido comum para designar as viúvas políticas de um Getúlio em decadência. Foi Costa Rego, um jornalista político, padrinho de Jô Soares, que escreveu, em artigo de grande repercussão, que, assim como ocorria no processo da pesca do pirarucu, primeiro Getúlio arpoava os que queria submeter, anular ou proscrever. Depois lhes dava linha para que cansassem e, finalmente, os trazia para perto, extenuados, para que fossem submetidos a pauladas. Vargas, ao ser lembrado por Schmidt do artigo, teria dito, segundo relata o escritor, empresário e diplomata, com um sorriso largo e triste, “Quem está sendo pescado neste momento sou eu”.

Schmidt também é citado mais adiante pelo mesmo Jô Soares ao lembrar uma entrevista que a sua esposa por 20 anos, Theresa Austregésilo, concedera ao célebre cronista Stanislaw Ponte Preta. Perguntada sobre seu homem ideal, ela disse que deveria ter, entre outros atributos, o físico de Marlon Brando, a doçura de Vinícius de Moraes, a experiência de Hemingway, a bondade de São Francisco de Assis e a pobreza de Augusto Frederico Schmidt. Pelo jeito, ser editor de livros de qualidade, já naquela época, não era a atividade mais rentável do mundo.

Essas duas citações dizem muito de um intelectual autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia, e de vários artigos publicados em jornais e revistas, da década de 1920 à de 1950.

A inauguração de hoje coroa, portanto, um processo que teve seu principal marco em 2011, com a doação, com o principal objetivo de proporcionar uma maior interação entre a Fundação e o público de estudiosos de diferentes pesquisas, do espólio do poeta e de sua esposa à Unesp.

O ato, que muito no honra, por manifestar a confiança na Unesp como instituição que preserva e fomenta a cultura nacional, em suas mais variadas manifestações, foi feito pela Fundação Yedda & Augusto Frederico Schmidt, por meio de sua herdeira testamentária, a jornalista Eliane Georgette Peyrot, com a importante participação em todo o processo de Luis Amaral, professor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara.

O espólio apresenta duas partes. Uma delas é o acervo de 3.170 volumes, livros raros dos séculos XVI e XVII, publicações especiais (dedicadas a determinadas pessoas) e várias primeiras edições de autores como Mário de Andrade (1893-1945) e Manuel Bandeira (1886-1968). Esse material está na Biblioteca da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), Câmpus de Araraquara. 

A outra parte, de bens móveis e objetos de decoração, inclusive um piano, agora exposta aqui no Câmpus da Unesp no Bairro do Ipiranga, em São Paulo, reproduz o ambiente original da residência do casal Yedda & Augusto Frederico Schmidt, em espaço que estará aberto à visitação pública. 

É possível assim penetrar um pouco na intimidade de um poeta, cujos versos musicados ouviremos daqui a pouco graças a uma parceria com o SESC/Ipiranga; de um editor que realizou as mais diversas atividades, como publicar obras de Vinicius de Moraes, Graciliano Ramos, Gilberto Freyre, Rachel de Queiroz e Jorge Amado; de um empresário que abriu o primeiro supermercado do Rio de Janeiro, o Disco, inaugurado em 1952 em Copacabana; e de um diplomata que comandou, no governo JK, a Operação Pan-Americana (Opa), iniciativa brasileira para atrair investimentos norte-americanos para um programa de desenvolvimento econômico e social da América Latina sob a liderança do Brasil.

É tudo isso – e muito mais que não temos tempo de lembrar aqui – que evocam os móveis e objetos que constituem o espaço que vamos inaugurar daqui a pouco hoje. Nesse ambiente, será possível manter viva a trajetória de um homem que, em diversos papéis em sua trajetória, tem seu local reservado na história da cultura nacional.

Sergio Roberto Nobre
Vice-reitor da Unesp

São Paulo, 25 de abril de 2018

AGÊNCIA RIFF

Representante literário de Augusto Frederico Schmidt. Lucia Riff fundou a Agência Riff em 1991. Desde então vem representando alguns dos mais renomados escritores brasileiros, além de um notável grupo de agências literárias e editoras de todo o mundo para o mercado de língua portuguesa. Os Riffs - Lucia, Laura e João Paulo - e a equipe da Agência trabalham no Rio de Janeiro. Lucia está no ramo literário desde 1983.

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