Em sua primeira exposição individual, Lair Uaracy debruça sobre o árduo e fascinante mundo da pintura. Com “Expressão Genuína” o artista nos propõe pensar sobre os arquétipos de representação ligados à figura humana, em seu caso dos retratos. Os trabalhos são produzidos freneticamente e tem forte influência dos novos meios de comunicação e tecnologia, como num fast food onde a história da arte é comida sem muito tempo para ser digerida. O desejo e a possibilidade do êxtase parece ser procura romântica, iniciada lá pelo final do século XVIII e que inaugura a época moderna, corre ainda em nossas veias e vê-se evidente o interesse dos novos pintores por tal atitude.

O trabalho de Lair tem atitude expressionista, o centro de gravidade do corpo é o olhar. Como dos loucos, que ao se perder se acha; cordão umbilical que liga o chão ao céu. Ou como o reflexo das estrelas no mar iluminando o grande balé das sereias douradas ao som do LSD.
É matéria contundente também observar certa androgenia dos personagens em seu trabalho. Podem ser homens, mulheres, drags ou simplesmente anjos. O olho é alma e o corpo território sem fronteiras, que veste fantasia para nu permanecer. A tinta espessa sobre a tela, o gesto brusco e bruto que rasga o espaço com cores primárias, brancas e negras, são contrastados com fisionomias familiares, que ao mesmo tempo estão longe e ao mesmo tempo estão perto, como brisa que acaricia o rosto ou como fogo que queima a pele. A estranheza pode ser também calma e a beleza algazarra, grito e dor.

A arte é possibilidade de conhecimento em direção ao sensível. Homem emotivo que guia a ciência, como sopro de Deus em tela de Michelangelo. Deus é também técnica: acrílica sobre tela e Lair um jovem pintor que na hóstia consagrada bebe o sangue da vida para em vinho transformá-la.

Galeria Úmida

Rua Engenheiro Pena Chaves, 6 – casa 5

Jardim Botânico – RJ

Entrada Franca

Encerra: 01/12/2017.